Está sendo divulgado pela internet a notícia sobre uma “vacina anti-câncer” desenvolvida pelo médico pelo hospital Sírio Libanês, que agiria contra o câncer de pele (o mais comum) e o de rins (raro e difícil de ser detectado). Essa vacina existe – fruto de uma pesquisa encabeçada por José Alexandre Marzagão Barbuto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, mas os indícios de sua eficácia causam controvérsias.
E quem está divulgando a notícia insiste que “Boas notícias são para partilhar. Alguém pode estar precisando ! Por favor, divulguem esta vitória da medicina genética brasileira.” Até oferece um endereço de site que, na verdade, apenas fornece telefones de clínicas para atendimento, o que parece bastante suspeito, pois esse tipo de notícia não depende de divulgação do tipo “fofoca”. A ciência (tanto a brasileira, como a internacional), não permite que inventores de soluções divulguem por conta própria curas de problemas sérios.
Produzida para cada paciente individualmente, com células de seu próprio organismo, visa fazer com que o corpo reconheça e combata as células doentes, atenuando o mal-estar causado pelo tumor. Médicos alertam que os resultados ainda não estão comprovados. “Há outro estudo, feito pelo Hospital do Câncer (que vai entrar na terceira fase e está temporariamente suspenso), que tem um princípio semelhante, e vários outros ao redor do mundo, mas todos ainda estão em caráter experimental. Não há informações definitivas sobre a eficácia de nenhuma dessas vacinas”, alerta Rogério Izar Neves, diretor do Departamento de Oncologia Cutânea do Hospital do Câncer. O Genoa Biotecnologia, laboratório que disponibiliza a vacina, afirma que ela é produzida, mas diz que só dá informações a médicos e pacientes. Segundo Izar Neves, o benefício das vacinas é que, até agora, no estudos, os efeitos colaterais foram inexpressivos. “A resposta dos pacientes tem sido baixa: apenas 20%, mas outros tratamentos mais agressivos, como a quimioterapia, não têm resposta maior. Por isso, a vacina se torna interessante.”
O câncer de pele é o de maior incidência em todo o mundo. Mas também, na maioria dos casos, o tratamento é eficaz e não há alto índice de mortalidade. Quanto antes à doença é detectada, melhores as chances de cura. O recomendado é sempre procurar um dermatologista quando um sinal diferente no corpo for notado. Os tipos mais frequ?entes de câncer de pele são o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma.”O mais frequ?ente é o carcinoma basocelular”, explica o dermatologista José Torturella. “É o mais benigno deles, que teria uma ação deletéria local, não dando metástase”, diz o médico. O tratamento mais comum para este tipo de câncer de pele é a cirurgia, em que o tumor é retirado. Já os outros tipos têm seu tratamento iniciado com cirurgia, mas depois é preciso usar outras terapias, como a quimioterapia. O carcinoma espinocelular é de uma malignidade maior, podendo dar metástase; assim como o melanoma, que é o mais invasivo deles, destaca Torturella.
Qual a eficácia do tratamento?
Torturella: Foi observado um benefício clínico em até 80% dos pacientes
Ele cura o câncer?
Torturella: Não. O tratamento combate à expansão dos tumores em portadores de melanoma (câncer de pele) e de carcinoma renal (câncer nos rins). Além disso, melhorar a qualidade de vida, chegando a quadruplicar a expectativa de vida de pacientes com a doença em estágios avançados
É para todos os tipos de câncer?
Torturella: Não. Apenas os de pele e rins
Como age a vacina?
Torturella: A técnica estimula o sistema imunológico a rejeitar as células cancerosas.
Como é feita?
Torturella: Ela é feita individualmente, para cada paciente
Como foi testada?
Torturella: Ela foi aplicada em pacientes em estado terminal, em quem outras formas de tratamento já não estavam dando resultados
Quais as contra-indicações?
Torturella: Essa vacina não tem contra indicações
Quantas aplicações são necessárias?
Torturella: Em média, de quatro a sete
Como ela age no organismo?
Torturella: Ela ativa as defesas do paciente contra as células doentes, fazendo com que o sistema imunológico as reconheça e possa combatê-las
Como fazer para tomar a vacina?
Torturella: Ela só pode ser prescrita por um oncologista, que será o responsável pela aplicação e pelo acompanhamento do paciente.

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